quarta-feira, 30 de julho de 2008
Perdão
Arrepiados caminhos
Que nas lutas de lingua
Advérbios, sinónimos putativos,
Ainda mais adjectivos
Arremessados
Na expurga do odor-dolor
Nos fazemos combativos,
Quando apenas queremos
Dizer
Perdoa amor!
tulia
terça-feira, 29 de julho de 2008
A minha praia
Ao longe,
A maresia triste e piada
Na gaivota solitária
Da praia nunca pisada
Vazia.
Ao longe,
Azuis e verdes lamento
No choro triste e profano
De águas sem nau nem leme
Canto.
tulia
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Lembranças de ti
Dependência de ti
Nos ruídos distantes
Que me faíscam
Estrelas cadentes
No tempo que passa.
Brandos odores
Nas cadeiras vazias
Que me quebram
Ilusões de vidro
No sonho que passa.
Memória viciada
Nos sussurros mastigados
Que me rasgam
Saudades caladas
No homem que passa.
gvasc
domingo, 27 de julho de 2008
Poemar
No gosto das páginas vencidas
De tinta sanguinária de azul
Apruma desejos malfadados
Nas cheias linhas contidas.
São ânsias, suspiros e ais,
Solidões, saudades a mais.
São calores, arrepios,
Vontades,
Mão cheia de vaidades,
Corpos de seda vestidos,
Amores suados, sentidos,
Transparência
De branco-tule.
tulia
sábado, 26 de julho de 2008
Emigrante
Já queimei passados
Ardi com eles
Comi terra e memórias
Fui herói vencido
Nas perguntas rasgadas
Nos poemas vendidos
Cheguei fogo a desejos
Esqueci casa e retorno
Fiquei preso
A um porto
De cinzas sentido.
gvasc
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Nas tuas costas
Ando
Perdido
Pela linha das tuas costas
Canal
Loucura
Sem desvio de tortura
Guia
Ondeada
Perfeição entalada
De suor bebido.
gvasc
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Vibratto
Ainda chegas,
Ainda me tocas, onde um dia
Harpas partiram cordas
Nos sentidos molhados
De nossas mãos atadas,
No acto solo
De bocas beijadas.
tulia
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Chá de ti
Alimentaste o meu amor,
A minha boca,
O meu corpo.
Deste sede ao que te quería,
E eu quería tudo!
Flores, beijos e poemas,
Plena de lua e cheia de mar.
Ausência a tua
No tempo perdido...
Foste.
Partido.
Eu ainda quero tudo!
Ido,
Ainda assim me alimentas,
Faço chá das tuas letras,
Trago poemas de dor
Na boca cheia de beijos,
Que os sinto salgados mas meigos
No murchar dessas flores.
tulia
terça-feira, 22 de julho de 2008
Não me compares
Das flores dadas
Na paixão ardente,
Queimou-se o tempo de nós.
Apartados ou desalento
Que importa agora?
Do dado sobram ainda flores,
Paixões e também temores,
Ciúme e sabores
De um dia outras
Arderem,
Tão igual como outrora.
tulia
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Acordada
Anda, vem,
Quantas vezes te chamo
Pelo vento, pelas marés
Anda amor, vem,
Tantas vezes gritado
Outras tantas soprado
Um eco que hesito
No desejado
Amor,
Vem, anda,
E tu vens,
Devagar pelas ondas do mar,
Pela brisa da manhã
Amor,
E no sono descanso
Do sonho acordado.
tulia
domingo, 20 de julho de 2008
O teu é único
Alheio-me em beijos
Saboreio-os
Mordo-os
Sinto-lhes a saliva
Não te sinto o cheiro.
Analiso-me nas bocas
Tocadas
Afloradas
Rasgadas
Bebo-lhes o molhado
Não me tiras a sede.
Provo-me em linguas
Polposas
Reprovadas
Revoltosas
Toco-lhes a carne
Não te agarro o corpo.
Procuro-me no céu
Macio
Quente
Pecaminoso
Condeno-me
Dás-me o Inferno
De não ser o teu.
gvasc
sábado, 19 de julho de 2008
Guardar-te
Fotografo
Sombras
Manchas
Silhuetas.
Recorto
Limites
Figuras
Picotados.
Colo
Em álbuns
Invisíveis
Diáfanos
Profanos.
Descobrir-te
Achar-te
Agarrar-te
Em frames da minha memória
Icone
Da minha existência.
gvasc
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Aprender a esperar
Aprendi a esquecer,
A sentir mais nada,
A morrer por cada dia que passa
Depois
De ti.
Aprendi o antes
E o qualquer dia,
Dois tempos marcados sem poesia
Depois
De ti.
Aprendi a esperar
Pela neve no Estio,
A Lua ao meio-dia
Horizonte sem fio.
Depois de ti
Fiquei parada
Sem noite e sem alvorada.
Aguardo quieta
A hora marcada
No regresso
Aos dois a vida destinada.
tulia
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Faço-te em poema
No modo do advérbio
Componho razões
Para te ilustrar
No sufixo
De tantas paixões.
Adjectivo-te
Meigamente,
Assustadoramente,
Sofregamente...
Na legenda
Leia-se melhorado.
Pois sei que de pontos
Fazes períodos,
Finais cumpridos
Nos agás mudos,
Roubas-me o ar,
Tiras-me as linhas
Suspendo a tinta
Nesta adivinha:
Se és tu homem
Se poema a desejar.
tulia
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Beber saudade
Embebedo-me
Ciúmes alcoólicos
Sarram-me
Noites vertidas.
Embriago-me
Ódios etilicos
Adoecem-me
Madrugadas sózinhas.
Hepaticamente
Grito o teu nome
Em cada copo vazio.
gvasc
terça-feira, 15 de julho de 2008
Pele
Diz o meu corpo
Que foste feito para mim
Das palavras e do gesto
Não estarei tão certa
E mesmo assim
Incerta
Desvario-me cega
Quando perto
Tacteio pele de ti.
tulia
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Um para a despedida
Acenei mas tu largo
De passos e despedidas
Olvidaste
No tom amargo
O beijo que eu quería.
Era um só
De lembrança, de segredo
No meu peito,
Guardado a chave única
De feliz sem pranto.
Mil momentos de vida
Tivémos, tu sabe-lo bem,
E de tantos beijos
Trocados
Nem um só ficou, porém.
tulia
domingo, 13 de julho de 2008
Imaginário
Indecentemente
Escrevo-te em linhas do desejável
Aproximo-te do real
Pinto em cores fortes
Flores assustadas
Salgo-te a boca em palavras
Imaginário cruel
Nos tons cavos
Dos sonhos de papel.
gvasc
sábado, 12 de julho de 2008
Barcos de papel
Nas naus das histórias
É que faço os meus sonhos.
Lanço aos mares
Barcos de folhas de papel
Onde inscrevi o teu nome.
Navego em águas claras,
Calmaria de horizontes,
Fio de sol, fio de mel
Em que suave me guias
No seguro coração
De porto, tua baía.
tulia
sexta-feira, 11 de julho de 2008
No meu corpo
Peço-te loucura
Desaforo
Demência
Dás-me paixão
Dor
Lascívia e derrocada
Quero-te toda
Por fora e por dentro
Tens-me
Inteiro e pleno
De tua boca alimento
Migalhas de alma
Fera solta
Devassa.
gvasc
quinta-feira, 10 de julho de 2008
No teu corpo
Somo desafios
Vagarosa noite do teu corpo
Cálida cegueira
Que me atira
Em montes, vales e perdição.
Perfeição brutal
Aperto dedilhado
Desaperto de pele, alma e paixão.
Vencidos desafios
Mansa noite acordada
Incêndio
Chama ou faúlha
Lento ardo
Entre tuas pernas deitada.
gvasc
quarta-feira, 9 de julho de 2008
No meu pomar
No meu pomar
Há cerejeiras e macieiras,
Flores de açúcar,
Flores de rosa,
Flores de pálida seda
Que nos rebentos a sangrar
Me anunciam Primaveras.
Que do renascer em cada flor,
Há cerejas nos meus lábios,
Maçãs escondendo pecados,
Sentidos irisados
Entre risos e desejos,
Amor, paixão e beijos,
Do meu pomar sempre em flor.
tulia
terça-feira, 8 de julho de 2008
Amores sentidos
Do obscuro sentido das coisas
Renasço palpitante
Em sexos do coração.
Da primeira como da segunda
Penetro amores
Forte
Violento
Derradeiro.
Do obscuro sentido dos sentires
Alimento constante
Em olhos do coração.
Até à última como da primeira
Amo amores
Doce
Suave
Verdadeiro.
Homem em paixão.
gvasc
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Sou outro
Na solidão cansada
Da companhia da vida
Procuro desterro
No verso interrompido
De te lembrar em branco
Na linha escrita
Com que te faço.
Refaço-te
Acompanho-me
No fel memorável de outro.
E outro vivo
Enquanto te escrevo.
gvasc
domingo, 6 de julho de 2008
Sim e não
Há nãos
Que são sins
E nãos que são não
Te vás embora.
Há nãos
Que são sins
E nãos que nunca serão
Foste embora.
Há nãos
Que são sins
E nãos que não são nãos nem sins
E coisa alguma
Ou outra que se queira
E mesmo sendo sim
Sempre serão não.
E dos sins que são nãos
Quero ir embora
Pois embora um não seja um não
Sempre é um sim
Para ir embora.
gvasc
sábado, 5 de julho de 2008
Vicios
Do teu copo
Melancolicamente bebido
Embebedo-me
De alcoois
Sinto as chamas
Arderem-me
No teu olhar liquido
Afundo-me
Na tua boca
Vicio-me
Na tua lingua
E do céu
Bebo melancolicamente
Perdido
gvasc
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Como uma dança
No balanço desta dança
Vertida no teu olhar,
Segurei o meu caír,
Rodei a minha saia,
Despiste o meu vestir.
Era lento
Que me tomavas,
Nos braços ao alto
Domavas,
Passos contados são asas,
Voam longe, voam raso!
No peito o teu abraço
Que da cintura amparavas
Sentidos, sofrego, suspiros,
O desejo incontido.
Da musica não lembro mais,
Só o toque compassado
Do teu corpo já no meu.
Deixei-me perder no balanço
Vertida sobre o teu ombro,
Ritmo manso consentido.
tulia
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Afundar
Do sino
Escuto lamentos
Que dos meus
Faço repiques
Ausência branca
Nau ardida
Coração perdido
Paixão vendida.
gvasc
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Fácil e difícil
Tão fácil
Dizer-te o quanto quero
A tua mão na minha,
O sol em Janeiro,
A lua no meu quintal,
O teu sabor no meu,
A tua voz na minha melodia.
Tão difícil
Dizer-te que te quero,
Que preciso de ti,
Que és sonho só pra mim.
Que te amo,
Que te venero.
tulia
terça-feira, 1 de julho de 2008
Cá por dentro
Das entranhas do homem
Também há dor
Sorte
Maldição.
Há danças de ninfas
Luas de feiticeiras
Medos de menino
Artes guerreiras.
Das entranhas do homem
Também há mulheres
Materna
Fraterna
E a liberta
Que beija e verte
Eterna
Como musa do poeta.
gvasc
Subscrever:
Mensagens (Atom)